domingo, 21 de outubro de 2007

Igreja-Poema de Carlos Drummond de Andrade

Tijolo
areia
andaime
água
tijolo.

Socorro Santos- Igreja da Sé

O canto dos homens trabalhando trabalhando
mais perto do céu
cada vez mais perto
mais

Socorro Santos- Igreja da Sé

_a torre.

Socorro Santos- Igreja de Fátima

E nos domingos a litania dos perdões,
o murmúrio das invocações.

Socorro Santos-Igreja Pio X- Pan Americano

O padre que fala do inferno
sem nunca ter ido lá.

Socorro Santos-Igreja Pio X- Pan Americano

Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos.

Socorro Santos-Igreja do Patrocínio

Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida.

Socorro Santos- Igreja de Fátima

A manhã pintou-se de azul.

Socorro Santos- Igreja de Fátima


No adro ficou o ateu,

Socorro Santos- Igreja de Fátima

no alto fica Deus.

Socorro Santos- Igreja de Fátima

Domindo...
Bem bão! Bem bão!
Os serafins,no meio,entoam quirieleisão.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Encontro

Foto: Marcos VieiraEncontro entre duas almas...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Dar escuridão para aurora

Foto: Socorro Santos

No fim tudo dar certo...

Um...dois...três...

Foto: Socorro Santos Um...dois...três...
Vento leva,vento trás...
Aos poucos vamos dormindo,
Aos poucos vamos sumindo.

Brincadeira

Foto: Socorro Santos Amar...há quem faça por brincadeira,
Há quem faça para magoar...
Enquanto eu te amava...
Voçê brincava...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Marcos Vieira

Foto:Marcos Vieira Do jardim da vida colho,quem sabe... poesias...

Revelação

Foto:Marcos Vieira Por detrás de tuas asas posso me revelar...
Mostrando-te meus desejos escondidos...

Solidão

É no amanhecer da aurora que a vida mostra-me as suas incertezas...
De um novo amanhã que nunca chegará...
Ou chegou e eu não vi?



Fernando Pessoa


Chove. Que fiz eu da vida? Fiz o que ela fez de mim... De pensada, mal vivida... Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio Tenho febre na alma, e, ao ser, Tenho saudade, entre o tédio, Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido, Que é dele? Entre ódios pequenos De mim, estou de mim partido. Se ao menos chovesse menos!


Pai...

Vida distante...
Saudades constantes...

Socorro Santos

Voar...Voar

Quem me dera ter asas para alcançar o infinito...
Sentir a liberdade no meu corpo...
Sentir o vento me levar onde jamais pude ir...
Alçar voos sem limites...
Libertando-me enfim desse mundo estranho...

Sonhos apenas sonhos...se prender a eles porque?


Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,Mas, quando dispertei da confusão,Vi que esta vida aqui e este universo Não são mais claros do que os sonhos são
Obscura luz paira onde estou converso A esta realidade da ilusão Se fecho os olhos, sou de novo imerso Naquelas sombras que há na escuridão.
Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,É a mesma mistura de entre-seres Ou na noite, ou ao dia transferida.
Nada é real, nada em seus vãos moveres Pertence a uma forma definida,Rastro visto de coisa só ouvida.
Fernando Pessoa